“Contra o Tempo” (Source Code) não é um filme que se pode chamar de ruim, mas também não de bom.
Na ficção científica, o capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) acorda no corpo de um homem que morrerá durante um atentado terrorista a um trem. Em pouco tempo, o militar descobre que faz parte de uma missão de um projeto secreto do governo americano e tem apenas oito minutos para encontrar o responsável pela explosão da composição ferroviária.

Em "Contra o Tempo", o capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) tem apenas oito minutos para encontrar o responsável por um atentado em um trem/Reprodução
A breve descrição ilustra o argumento do longa-metragem de 93 minutos. A ideia é interessante, cheia de boas intenções e converge com outros lançamentos hollywoodianos que apostaram em narrativas diferenciadas – mais psicológicas e ligadas ao universo da ciência – e se deram bem como “A Origem” (2010) e “Sem Limites” (2011).
No entanto, o roteiro de Ben Ripley e as interpretações irregulares dos atores afundaram a produção do diretor estreante Duncan Jones.
Os personagens, a estrutura e o enredo não estão bem amarrados e isso dá a sensação de que a história não é boa, que faltou uma cena ali, que sobrou uma cena acolá… Ou seja, não funciona.
A atuação do elenco, que conta com gente renomada e experiente, é caricata. O Dr. Rutledge (Jeffrey Wright) mais parece um cientista maluco e egocêntrico que saiu de um desenho animando como o Professor, o arqui-inimigo do Gato Félix.
A capitã Colleen Goodwin (Vera Farmiga) é fraca e extremamente sentimental, características que a impossibilitariam de ocupar um cargo de chefia em um projeto top secret. A mocinha do longa Christina Warren (Michelle Monaghan) não transmite empatia.
O pior caso é o do protagonista Jake Gyllenhaal (“Amor e Outras Drogas” e “Entre Irmãos”). Ele é um bom ator, com uma carreira em ascensão, mais de 20 filmes no currículo e uma indicação ao Oscar por seu Jack Twist, de “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005). Porém, não convenceu no papel de capitão Stevens. Sua atuação é desigual e pontuada por um heroísmo irritante.
Com tantas falhas, não dá para saber se o diretor Duncan Jones poderia ter conduzido o filme de forma diferente. Se, no começo da carreira, até Ridley Scott teve que fazer concessões para lançar “Blade Runner – O Caçador de Androides” (1982), o que Jones não deve ter engolido para emplacar em Hollywood?
É uma pena que um argumento tão interessante e ligado às atuais pesquisas científicas tenha sido mal aproveitado e se tornado um filme tão desarmônico.
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Debora de Lucas
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