Diretor Marcos Prado erra na mão e transforma filme Paraísos Artificiais em neopornochanchada

“Pode parecer excessivo, mas eu questiono o porquê das cenas de sexo no cinema nacional serem sempre tão ensaiadas, apenas insinuarem com covardia. Por que não mostrar?”, defende Marcos Prado, diretor do filme Paraísos Artificiais.

Cartaz de Paraísos Artificiais, do diretor Marcos Prado/Reprodução

O drama de 96 minutos chegou aos cinemas na última sexta-feira (4).

Ambientado no universo das raves, narra os encontros e os desencontros do casal formado pela DJ Érika (Nathalia Dill) e por Nando (Luca Bianchi), um jovem de classe média que se envolve com o narcotráfico internacional.

A ousada ficção do cineasta peca pela narrativa fragmentada, pelas constantes digressões no tempo e pelo excesso de cenas de sexo.

Da ousadia à neopornochanchada
As duas primeiras falhas deixam o filme com ritmo de videoclipe e dão a sensação de que o trailer é o melhor do que o longa.

A última aproxima a fita da pornochanchada – gênero do cinema brasileiro que abusava do erotismo entre os anos 1970 e 1980. O roteiro escrito por Prado, Cristiano Gualda (Três Irmãos de Sangue) e Pablo Padilla não dá suporte para as cenas de sexo que incluem lesbianismo e ménage à trois.

Infelizmente, Paraísos Artificiais não tem a profundidade de clássicos como Império dos Sentidos (1976), de Nagisa Oshima, ou Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci. Nesses longas, o sexo é o ponto de partida dos roteiros. Ele é um elemento tão importante para as histórias que não causa estranhamento nem desconforto.

A ideia de Prado apresentada no início desta crítica é interessante, desbravadora e busca a espontaneidade, no entanto, precisaria ser melhor trabalhada no roteiro, na edição e até mesmo na direção.

Da forma que foi conduzida, as cenas de sexo se tornaram apelativas e dispensáveis.

O realizador do documentário Estamira (2004) e produtor da franquia Tropa de Elite e da trama Ônibus 174 (2002) errou na mão e transformou seu début ficcional em um soft porno melhorado, em uma neopornochanchada.

Nathalia Dill
O elenco encabeçado pela talentosa Nathalia Dill conta com os também brilhantes Luca Bianchi (Nando), Lívia de Bueno (Lara), Divana Brandão (Márcia), Roney Villela (Mark), Bernardo Melo Barreto (Patrick), César Cardadeiro (Lipe) e Emilio Orciollo Neto (Mouse).


Em seu primeiro trabalho no cinema, a atriz global mergulhou de cabeça na personagem e acabou exposta demais.

Por um lado, a entrega é positiva. Mostra que a Débora, da novela Avenida Brasil, está comprometida com a profissão e tem elasticidade emocional para encarar qualquer papel.

Por outro lado, ela pode se arrepender da exposição desnecessária como a atriz francesa Maria Schneider (1952 – 2011) se arrependeu de ter participado de Último Tango em Paris.

Paraísos Artificiais é um filme para quem gosta e boa fé no cinema nacional e não se espanta com os eventuais tropeços dos diretores brasileiros. [Disponível em 2D]

Paraísos Artificiais | Site oficial
www.paraisosartificiaisofilme.com.br

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