“O Preço do Amanhã”: Novo filme de Justin Timberlake é irregular

Quarenta e nove minutos de Robin Hood + quarenta e um minutos de Bonnie e Clyde + dezenove minutos de bom mocismo = “O Preço do Amanhã” (In Time). Apesar do roteiro interessante e do carisma que Justin Timberlake emprestou ao protagonista Will Salas, o filme é irregular.

Amanda Seyfried e Justin Timberlake estrelam a ficção científica “O Preço do Amanhã”, do diretor e roteirista Andrew Niccol/Reprodução

A ficção científica de 1h49 minutos foi escrita e dirigida pelo neozelandês Andrew Niccol (“S1mØne – Nasce Uma Super Estrela” e “O Senhor das Armas”) e chegou aos cinemas brasileiros na última sexta-feira (4).

A irregularidade da produção se encontra na mistura de cenas perfeitas com outras caricatas.

Talvez, o longa do talentoso e criativo Niccol precisasse de alguns minutos a mais para que as reviravoltas ficassem mais estruturadas e claras.

Talvez, Timberlake não tenha a experiência e a profundidade necessárias para viver um herói do futuro com ares de Robin Hood e determinação de Clyde Barrow.

O filme nos apresenta um 2065 em que as pessoas param de envelhecer aos 25 anos e, para viverem mais, os pobres têm que trabalhar em troca de horas. Nessa realidade obscura, Salas acaba se tornando, sem quer, a esperança, o escolhido para acabar com o sistema.

Seria injusto atribuir a desarmonia do longa ao neozelandês que em 1997 dirigiu e escreveu o original e inteligente “Gattaca – Experiência Genética”, sua estreia em Hollywood. Além dessa ficção científica, sua competência já foi comprovada nos roteiros de “O Show de Truman”, de Peter Weir, e “O Terminal”, de Steven Spielberg.

Nem Timberlake pode ser acusado. Ao contrário das previsões, o cantor está desenvolvendo uma carreira sólida no cinema. Ele sempre encarar personagens diferentes e já recebeu críticas positivas pelas interpretações em “Alpha Dog”, “A Rede Social” e “Amizade Colorida”.

A atriz Amanda Seyfried (“A Garota da Capa Vermelha”, “Garota Infernal” e “Mamma Mia!”) interpretou bem seu personagem. Ela deu vida à Sylvia Weis – a mocinha da trama – que, após se envolver com Salas, se torna uma Bonnie Parker do século 21.


O elenco também não pode ser culpado. Os atores Olivia Wilde, Cillian Murphy, Matt Bomer e Johnny Galecki desempenharam corretamente seus papéis secundários. A direção de arte foi primorosa e, sem exageros, deu um ar futurístico à nova ordem social.

Enfim, não há como explicar logicamente por que uma produção hollywoodiana com tantos pontos positivos acabou naufragando nas telonas.

“O Preço do Amanhã” | Site oficial [em inglês]
www.intimemovie.com

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Debora de Lucas


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“Amizade Colorida” segue fórmula das novas comédias românticas sem perde personalidade

Quem gosta de comédias românticas tem que admitir que 2011 está sendo um ano estranho para o gênero. As tradicionais histórias água com açúcar cheias de encontros, desencontros, choramingos, arrependimentos, declarações de amor e finais insuportavelmente felizes estão dividindo espaço com um novo subgênero do gênero.

A fórmula agora é contar como, onde, quando e por que dois grandes amigos se transformam em amantes… É lógico que a receita muito sexo sem amor não dá certo por muito tempo e, no final, os parceiros descompromissados acabam se tornando namorados apaixonados.

Os amigos Jamie (Mila Kunis) e Dylan (Justin Timberlake) decidem ter um affair na comédia romântica “Amizade Colorida”/Divulgação

O que antes era impensável dentro do universo do amor romântico das comédias hollywoodianas é uma realidade bem-sucedida nas telonas. Juntos, os longas “Sexo Sem Compromisso” (No Strings Attached) e “Amor e Outras Drogas” (Love and Other Drugs) arrecadaram mais de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 450 milhões) em todo o mundo.

Nessa linha, “Amizade Colorida” (Friends with Benefits) estreou nos cinemas brasileiros na última sexta-feira (30/9). A produção de 109 minutos narra a “ficação” entre a headhunter Jamie (Mila Kunis) e o editor de arte da revista GQ Dylan (Justin Timberlake). Até esse ponto, o filme do diretor Will Gluck se parece muito com os outros. No entanto, as semelhanças acabam aí.

Ao abusar de situações factíveis, o roteiro imprime uma personalidade diferente ao longa-metragem. Os personagens secundários como a mãe de Jamie – a hippie Lorna (Patricia Clarkson) – e o colega de trabalho de Dylan – o editor de esportes gay Tommy (Woody Harrelson) – ajudam o filme a fugir dos clichês do gênero e deixam a trama mais original e, indiscutivelmente, mais engraçada. Além disso, a inserção de elementos atuais como flash mobs dá ares de contemporaneidade à história.


Mila deu vida a uma mulher do século 21 que é livre, independente, espontânea, autossuficiente e sempre luta pelo o que quer. Timberlake interpretou o típico homem pós-moderno que não se ajusta bem aos novos comportamentos femininos e é cheio de traumas de antigos relacionamentos.

O casal funcionou. A atriz ucraniana, 28 anos, mais conhecida no Brasil por sua Lily, de “Cisne Negro”, e pelas imagens eróticas que circularam na web nas últimas semanas, mostrou versatilidade e profundidade. Timberlake, 30, se reafirmou como ator. O cantor cumpriu com primor a difícil missão de descolar a sua imagem musical de seu personagem. Quem assiste ao filme não vê Justin, mas sim Dylan.

Como se não se cansasse de acertar, a produção conta com uma edição redonda, ágil e sem rebarbas. É exata para uma comédia romântica atual que tem como cenário a dura e bela cidade de Nova York.

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TechnoFight -  A briga entre Samsung e Apple voltou ao mundo da Sétima Arte. Além de pagar a Sony Pictures para bombar os modelos de seus celulares durante todo o longa “Amizade Colorida”, a gigante sul-coreana aparentemente arrumou mais uma rusga com a empresa de Steve Jobs.

Há uma cena em que os protagonistas tentam fazer um juramento sobre a versão da Bíblia para iPad. Durante alguns segundos, o tablet da Apple apresenta diversas falhas e o personagem de Timberlake faz uma piada sobre o mau funcionamento do aparelho.

Não se pode afirmar que a Samsung pediu para que a produção do filme desse essa estocada na concorrência. No entanto, depois que a empresa sul-coreana afirmou – em uma ação judicial de quebra de patente – que o conceito do iPad foi inspirado em um dos aparatos tecnológicos criados para o longa “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, tudo é possível.

Amizade Colorida | Site Oficial
www.amizadecoloridaofilme.com.br


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Debora de Lucas


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