A releitura do ilustrador italiano Guido Crepax (1933 – 2003) para o romance erótico A História de “O” retorna às livrarias brasileiras. A nova edição da graphic novel homônima à obra da escritora francesa Pauline Réage (1907 – 1998) custa R$ 38, tem 184 páginas e conta com a tradução de Lino Agra.
A HQ narra a história de “O”, uma mulher que é submetida a uma série de práticas de dominação por seu amante René.
Durante as sessões de sexo – digamos – bizarro, a protagonista descobre seus gostos pouco convencionais. Leia um trecho do livro
O “gibi” de luxo chegou pela primeira vez ao Brasil nos anos 1980. O título aterrissou no país pela editora L&PM que, cerca de trinta anos depois,
relança o volume.
A História de “O”, de Guido Crepax,184 páginas, com tradução de Lino Agra/Reprodução
A pouca experiência atrás das câmeras e alguns tropeços em Hollywood não impediram que o diretor e roteirista norte-americano Joss Whedon (Serenity), 47 anos, transformasse Os Vingadores (The Avengers) em um excelente filme.
Pôster do longa-metragem Os Vingadores/Reprodução
Com uma carreira estabelecida na TV americana, o nova-iorquino é o roteirista dos bem-sucedidos seriados Buffy – A Caça-Vampiros e Angel e também é o cara por trás dos roteiros dos filmes Toy Story e Alien – A Ressurreição.
Nas mãos do amante das histórias em quadrinhos, o longa-metragem de 142 minutos consegue transportar para as telonas a dinâmica, a intensidade, as características e os conflitos do time formado em 1963 pela Marvel Comics.
Na trama, o vilão Loki (Tom Hiddleston) e seus aliados alienígenas iniciam um plano para dominar a Terra. Com a ameça, o diretor da agência internacional de pacificação S.H.I.E.L.D. Nick Fury (Samuel L. Jackson) recruta os super-heróis para defenderem o planeta.
Saborosa infidelidade
A produção não é 100% fiel aos primeiros números da HQ. Ela mescla fases e não cita os membros fundadores Vespa e Homem-Formiga. No entanto, o roteiro de Whedon é bem amarrado e convence.
O script e a direção redonda dão uma segunda chance ao, num primeiro momento, insosso Capitão América (Chris Evans). O personagem não emplacou como o esperado no longa homônimo lançado no ano passado.
O subaproveitado Hulk (Mark Ruffalo) reconquista a grandiosidade que havia perdido nos dois filmes solos Hulk (2003) e O Incrível Hulk (2008).
Depois da introdução cinematográfica em 2011, o deus Thor (Chris Hemsworth) volta mais maturo e seguro.
O Homem de Ferro brilha de novo. Como o Superman de Christopher Reeve (1952 – 2004), a atuação de Robert Downey Jr. é icônica e, provavelmente, será um empecilho para os próximos atores que se aventurarem a encarnar o personagem que – com a sua inteligência, modernidade e sarcasmo – é o mais alinhado da família Marvel à contemporaneidade.
A coragem desprovida de superpoderes dos agentes da S.H.I.E.L.D. Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e a mente articulada e os métodos questionáveis de Fury ajudam a compor o grupo.
Constantes efeitos especiais
Apesar de extremamente presentes, os efeitos especiais não roubam a cena. Eles são fundamentais para dar vida à fantasia criada pelos desenhistas Stan Lee e Jack Kirby (1917 – 1994). Os recursos engrandessem e conferem riqueza visual à narrativa.
Afinal das contas, o Homem de Ferro e Thor voam, e o Dr. Bruce Banner se transforma no verdão Hulk em poucos segundos.
Como destruir a cidade de Nova York sem eles? Não se esqueça que batalhas na Big Apple são recorrente no Universo Marvel. Ou seja, nos dias de hoje, é impossível filmar uma produção desse porte sem o auxílio da computação gráfica e do chroma key.
Mais que um filme Os Vingadores (The Avengers) é um superfilme. Os fãs que acompanham os super-heróis nos quadrinhos saem das sessões extasiados. A criançada, apaixonada. E os espectadores comuns dizem que topariam pagar mais um ingresso para rever o longa.
Com menos de dez dias em cartaz e sem estrear nas salas americanas, a produção estimada em US$ 220 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões) já arrecadou US$ 280 milhões (cerca de R$ 530 milhões) e se tornou um fenômeno mundial (leia mais a seguir).
Sua continuação está programada para voltar aos cinemas. Em entrevista à revista britânica SFX, Joss Whedon declarou que a sequência será mais curta, mais pessoal e mais dolorosa. O cineasta acrescentou que o tema será completamente novo e fresco.
Pode parecer difícil, mas após assistir a Os Vingadores é impossível não botar fé no talento e na mente criativa do diretor. [Disponível em 2D e em 3D]
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Uma máquina de fazer dinheiro – Bombou. Definitivamente, o longa-metragem Os Vingadores (The Avengers) é um sucesso. Nos cinemas desde 25 de abril, a produção norte-americana estreada em 40 países como México, Austrália, Reino Unido, Alemanha, França e Itália já arrecadou US$ 280 milhões (cerca de R$ 530 milhões), segundo o BoxOfficeMojo.com.
O malandro Stan Lee sempre dá um jeito de fazer pontas nos filmes do Universo Marvel/Edward Liu/Wikimedia
Só no Brasil – em cartaz desde 27 de abril –, o faturamento bateu a casa dos US$ 11 milhões (aproximadamente R$ 21 milhões), ainda de acordo com o site gringo.
Além de confirmar a cifra, a página brazuca FilmeB.com.br afirma que a fita da Marvel Studios é a maior abertura do ano e a maior renda de abertura da história no país.
E esses números vão crescer ainda mais. O filme do diretor Joss Whedon estreia nesta sexta-feira (4/5) nos Estados Unidos e no Canadá. Para esses mercados, a previsão é que US$ 400 milhões (cerca de R$ 765 milhões) sejam arrecadados, informa a firma quase centenária Box Office.
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>>>Repare! – O Hulk ganhou as feições do ator Mark Ruffalo. | Nas cópias legendadas, o mais célebre intérprete do personagem verdão – o ator e ex-fisiculturista Lou Ferrigno – empresta a sua voz ao super-herói. | Nos minutos finais, Stan Lee faz uma ponta e tira um sarro dos Vingadores. Essa não é a primeira vez que o desenhista interage com seus personagens. No maior estilo hitchcockiano, Lee sempre dá um jeito de aparecer ao lado de seus meninos. | Há uma cena extra. Só saia do cinema após assisti-la.
O Dia Nacional dos Quadrinhos é comemorado nesta segunda-feira (30). Para celebrar a data, selecionei quatro páginas na web de emblemáticos cartunistas brasileiros.
Cartun da série Estudos Sugerem que..., de Adão Iturrusgarai/Reprodução
O critério de escolha foi baseado em nomes que li durante a minha adolescência e que me formaram como leitora e admiradora das HQs nacionais.
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Adão Iturrusgarai – O adao.blog.uol.com.br é atualizado regularmente e reúne grande parte da história e do trabalho do quase cinquentão cartunista gaúcho.
Quem tiver saudades da revista Big Bang e de tiras como La Vie En Rose, Rocky e Hudson, Aline e Mundo Monstro, vai reencontrá-las por lá.
Temas como sexo, sociedade e homossexualidade são recorrentes no universo “adãoniano” que é marcado pelo deboche e pelo desbunde.
Allan Sieber – O traço (que é considerado por alguns como tosco), a visão ácida da vida e a falta de compromisso com o lado politicamente correto das coisas são as características do trabalho desse também gaúcho nascido em 1972, em Porto Alegre. Entre suas produções mais memoráveis estão Vida de Estagiário e Bifaland, a Cidade Maldita.
Além de publicar suas tiras, suas HQs e seus cartuns, Sieber [@fakeallansieber] abre espaço para jovens cartunistas brasileiros em seu site.
Angeli – A página na web do lobo do mar paulistano é a única que não é bem cuidada. A atualização é semanal, e o design é antiquado. No entanto, o trabalho de um dos nomes da revista Chiclete com Banana e do pai de personagens como Rê Bordosa, Wood & Stock, Bob Cuspe, Mara Tara, Benevides Paixão e os Skrotinhos não pode ser subestimado.
Capa da revista Chiclete com Banana, número 22/Reprodução
Junto com Glauco, morto em 2010, e Laerte, criou a hilária série Los 3 Amigos, que depois contou com a colaboração de Adão Iturrusgarai. E, apesar de seu pouco caso com a internet, aos 55 anos, é um dos mais conhecidos e ativos cartunistas brasileiros.
Laerte – Na falta de uma página, o paulistano Laerte Coutinho [@LaerteCoutinho1] tem duas. O site www.laerte.com.br apresenta tiras novas todos os dias. Nesse espaço, histórias mais lineares e personagens com traços mais tradicionais como Overman, Hugo e Gato e Gata têm espaço cativo.
Já em ManualdoMinotauro.blogspot.com, o cartunista de 60 anos explora sua criatividade com histórias que subvertem a ordem e a lógica e que ocorrem em universos paralelos como na tira do olho gigante que tem pensamentos e atitudes humanos (veja abaixo).
Tão celebrado quanto Angeli, a estrela da revista Piratas do Tietêassumiu seu lado cross-dressing em 2010 e passou a usar roupas de mulher.
Tira de Laerte/Reprodução
Tira do casal Rocky e Hudson, de Adão Iturrusgarai/Reprodução
Depois de 11 bem-sucedidos livros de história em quadrinhos, a cartunista argentina Maitena, 49 anos, – mais conhecida no Brasil pela série “Mulheres Alteradas” – anunciou que se cansou de desenhar. De desenhar, não de trabalhar!
O romance “Rumble”, de Maitena, recebeu avaliações positivas da crítica hispano-americana/Reprodução
Buscando uma nova
forma de expressão,
ela se aventurou
pelo mundo
da literatura.
Seu primeiro
romance, “Rumble”
(Lumen Editorial),
chegou às livrarias argentinas em
1° de agosto e, até agora,
se encontra nas listas
dos títulos mais
vendidos no país.
Ao contrário do estilo engraçado que a portenha criou para as personagens de suas tiras, o livro foge do tom humorístico e é um retrato mais ou menos autobiográfico da pré-adolescência
da agora escritora.
A obra narra o cotidiano de uma jovem e seus conflitos como o péssimo desempenho escolar, o mau relacionamento familiar, as primeiras experiências com drogas e a gravidez indesejada aos 17 anos.
Historicamente, a trama se passa entre a morte de Juan Domingo Perón e a Copa do Mundo de 1978 , na Argentina. O período faz parte da ditadura militar no país que, como no Brasil, foi marcado por luta armada, repressão e silêncio.
Para redigir o romance, Maitena levou quatro anos e escreveu 13 versões antes da final. Apesar de trabalhoso, a cartunista avaliou o processo como necessário pois, durante ele, se redescobriu como ser humano e mulher.
Além disso, o livro permitiu que a autora começasse a usar seu sobrenome, Burundarena. Antes, ela o evitava para não ter a sua imagem associada ao seu pai, um influente catedrático em Educação da Universidade de Buenos Aires.
Maitena Burundarena, 49 anos, mais de duas décadas de carreira, 11 livros de HQ e um romance/Divulgação/Amaya
“Rumble” – que custa 75 pesos argentinos (cerca de R$ 30) – foi bem recebido pela crítica hispano-americana e, por enquanto, não tem lançamento previsto para o Brasil.
Mesmo afirmando que se cansou de desenhar, ainda não se sabe se o livro jogará a pá de cal no traço único e nas histórias cômicas e realistas do universo feminino que acompanham Maitena há mais de 20 anos.
Uma pista de que sua fadiga pode ser passageira está próprio título de seu romance. Rumble é uma onomatopeia da Língua Inglesa que é usada nas HQs gringas para lembrar o som de rochas que rolam por uma ladeira.
Será que Maitena Burundarena renegará Maitena? Só o tempo dirá.