Com os filmes Motoqueiro Fantasma 2 e O Pacto, Nicolas Cage reafirma más escolhas cinematográficas

Nicolas Cage, 48 anos, é indiscutivelmente um bom ator. Ganhou o Oscar pelo personagem Ben Sanderson, em Despedida em Las Vegas (1995). Versátil como Marlon Brando, Al Pacino e Robert De Niro, sempre se arrisca em papéis diferentes como bêbado, policial, bombeiro, anjo da guarda, mocinho e vilão.

Nicolas Cages faz dois filmes por ano/Wikimedia/Nicolas Genin

No show business desde 1981, é um dos poucos astros da época que ainda é requisitado pelos estúdios de Hollywood.

Com 64 longas-metragens no currículo, o sobrinho de Francis Ford Coppola faz em média dois filmes por ano.

Só em 2011, estrelou cinco produções: Caça Às Bruxas, Fúria Sobre Rodas, Reféns, Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança e O Pacto.

Os três primeiros entraram em cartaz no ano passado e foram mal avaliados pela crítica de todo o planeta.

Motoqueiro Fantasma 2 e O Pacto
Os dois últimos estrearam no Brasil em, respectivamente, 17 de fevereiro e 9 de março de 2012, e também não fizeram jus ao talento do astro.

No longa de ação/drama/suspense O Pacto (Seeking Justice), o ator vive a história maluca de Will Gerard. Para vingar o estupro da mulher Laura (January Jones), o protagonista se envolve com um grupo de justiceiros e é obrigado a assinar um homem para se livrar da associação.

Durante 105 minutos, é lamentável assistir às risíveis cenas de ação e reviravoltas bobocas da produção dirigida por Roger Donaldson (A Experiência, A Fuga e O Inferno de Dante).

Na parte dois da franquia Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider: Spirit of Vengeance), Cage se sai melhor. À vontade na pele de John Blaze, o ator emprestou pela segunda vez suas caras e bocas ao atormentado personagem da Marvel Comics.

Na tentativa de se manter na crista da onda, a continuação em 3D dos diretores e parceiros Mark Neveldine e Brian Taylor se perde ao abusar dos recursos de videoclipes, videogames e videoartes. Os efeitos especiais tornam a trama interessante, mas não são o bastante para segurar seus 95 minutos. O filme é questionável, porém Cage não passa vergonha como em O Pacto.

Tropeços na carreira
No entanto, essas não são as primeiras produções a macular a carreira do astro. Elas apenas reafirmam suas más escolhas cinematográficas.

À esquerda, Nicolas Cage como John Blaze no longa-metragem Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança; à direita, o ator hollywoodiano vive Will Gerard no filme O Pacto/Fotos: Divulgação

Desde que faturou seu primeiro e único Oscar, Cage oscila entre filmes ótimos e irregulares. Quem não o aplaudiu pelo duplo papel Castor Troy/Sean Archer em A Outra Face (1997)? Pelo detetive particular Tom Welles em 8mm (1999)? Ou pelo paramédico insone Frank Pierce em Vivendo no Limite (1999)?

Quem não o reprovou pelo anjo Seth no remake Cidade dos Anjos (1998)? Ou pelo mágico Cris Johnson em O Vidente (2007)?

O ator diz que seus filmes são honestos e que o problema são os críticos. A polêmica somada às trapalhadas de sua vida privada – como a declaração de falência em 2009 e a briga com a mulher em 2011 – dão margem para a crítica classificá-lo como mercenário ou afirmar que ele sofre da maldição do Oscar.

Com isso, é impossível saber em que lugar o astro quer chegar. Quer ser reconhecido como um ator que trabalha muito? Ou por ser um cara que consegue faturar o máximo com o mínimo de esforço?

O que se pode afirmar agora é que com os filmes Stolen (2012), The Frozen Ground (2012), The Croods (2013) e Frank or Francis (2013), Cage vai engordar sua conta bancária. Afinal, seu cachê é de em média US$ 6 milhões (cerca de R$ 10 milhões) por produção.

Apesar das derrapadas, seu nome e seu carisma ainda arrastam plateias aos cinemas de todo o mundo. E, pelo andar da carruagem, o público e Hollywood não se cansaram dele.


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Debora de Lucas


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Atividade Paranormal 3 supera precursores da franquia

Medinho, medo, medão, medaço… A gradação é perfeita para explicar o que o espectador sente ao assistir Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3). O filme chegou aos cinemas brasileiros na última sexta-feira (21).

“Atividade Paranormal 3” chegou aos cinemas brasileiros em 21 de outubro/Reprodução

O longa dos diretores Henry Joost e Ariel Schulman dá continuidade à franquia de terror que se iniciou em 2007 e é composta por Atividade Paranormal (2007), Atividade Paranormal 2 (2010) e Atividade Paranormal Tóquio (2010).

A produção, outrora independente, liderou a bilheteria mundial no último fim de semana ao arrecadar aproximadamente US$ 80 milhões (cerca de R$ 140 milhões).

Durante 85 minutos, o filme esclarece que o envolvimento das protagonistas Katie e Kristi Rey (agora vividas pelas atrizes mirins, Chloe Csengery e Jessica Tyler Brown, respectivamente) com as forças sobrenaturais começou na infância, precisamente em 1988.

O longa segue a mesma fórmula de seus precursores ao misturar cenas do dia a dia de uma família comum norte-americana com imagens horripilantes. No entanto, ao tratar do passado das jovens, consegue superar os filmes anteriores porque mistura temas como inocência, bruxaria, ocultismo, maldade, mentira e mortes.

Os cinéfilos sairão da sessão com a lembrança do aterrorizante O Homem de Palha (1973), de Robin Hardy – que 33 anos depois ganhou um remake igualmente perturbador,O Sacrifício (2006), Neil LaBute, com Nicolas Cage – em mente. E, além disso, certamente terão medo de dormir à noite.


Faça uma prece antes de conferir Atividade Paranormal 3.

Atividade Paranormal 3 | Site oficial
www.paranormalmovie.com

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Com “O Rei Leão” em 3D, Disney embolsa milhões de dólares e dá aula de estratégia aos estúdios de Hollywood

O ditado popular sentencia: “Quem foi rei, nunca perde a majestade”. No último domingo (25), as bilheterias norte-americanas provaram que a sabedoria popular brasileira vale em qualquer parte do mundo. Mesmo com as estreias “Moneyball” (capitaneada por Brad Pitt) e “Winter, o Golfinho” (“Dolphin Tale”), “O Rei Leão” em 3D se manteve no primeiro lugar do ranking dos filmes mais vistos nos Estados Unidos e faturou cerca de US$ 61 milhões em apenas duas semanas.

Nada mau para uma animação de 1994 que foi relançada no formato três dimensões no último dia 16 de setembro na terra de Barack Obama. A princípio, o plano da Disney era manter a história de Simba por apenas 14 dias em cartaz, mas com essa marca, os executivos da companhia podem mudar de ideia.

"O Rei Leão" – seja em 2 ou 3D – ainda encanta adultos e crianças nos Estados Unidos (Reprodução)

Ao contrário dos estúdios de Hollywood, a estratégia da Disney sempre foi relançar suas produções com atualizações tecnológicas: uma recolorização ali, um melhoria no áudio acolá e assim por diante. E nunca, nunca alterar a narrativa, atualizá-la ou fazer um remake.

Entre as empresas cinematográficas dos Estados Unidos, a Disney é a única que entende que refilmagens podem ou não funcionar.

Os números do Box Office Movie, site especializado na medição da bilheteria americana, mostram que a tática da companhia do Mickey Mouse é muito inteligente. Só nos Estados Unidos, “O Rei Leão” (em 3D) já arrecadou 7% do valor da edição de 1994. O filme em 2D faturou aproximadamente US$ 862 milhões em todo mundo.

Mesmo quando os remakes funcionam – isto é, têm uma arrecadação boa –, geralmente ficam aquém do original. Um exemplo disso é “Cidade dos Anjos” (1998), de Brad Silberling. Os críticos odiaram a “homenagem” que o diretor americano fez a “Asas dos Desejo” (1987), de Wim Wenders. No entanto, o grande público adorou e encheu as salas de todo planeta. Não vou publicar os números porque é covardia comparar a arrecadação de um clássico moderno do Cinema Alemão com a de um longa hollywoodiano, estrelado por Nicolas Cage e Meg Ryan.

Remakes vergonhosos
Mas há refilmagens que passam vergonha como “Poseidon”. A versão de 1972 foi um sucesso de crítica e público e angariou cerca de US$ 85 milhões só nos Estados Unidos. O remake da história de seis passageiros que tentam fugir de um transatlântico prestes a afundar chegou aos cinemas em 2006 e não agradou. O longa nem levantou US$ 61 milhões em seu próprio país.

Mesmo com esses tombos, os estúdios de Hollywood teimam em “refazer” filmes que nem completaram trinta anos, vide o novo “Conan, o Bárbaro”(2011).

Nada contra o ator Jason Momoa porém, a missão de competir com Arnold Schwarzenegger é indigna. O astro nascido na Áustria personificou o guerreiro simeriano nos dois bem sucedidos longas da saga. Além disso, a versão do século 21 estreou na quarta posição das bilheterias dos Estados Unidos enquanto o filme de 1982 ficou com o primeiro lugar no mesmo período, segundo o Box Office Mojo. Até agora no requisito arrecadação americana, o “original” fica na frente com quase US$ 67 milhões contra os cerca de US$ 48 milhões do “novato”.


Bom, números são números e quase sempre, incontestáveis. Por eles, observamos que ao preservar o seu passado, a Disney dá um baile em seus concorrentes em nosso tempo presente. A teoria de que as boas histórias têm que ser modernizadas e recontadas para conquistar um público mais jovem se torna ridícula quando uma animação de 17 anos, com um enredo completamente manjado, conquista e mantém a primeira posição durante seu relançamento. Com isso, fica difícil não afirmar que os grandes estúdios precisam tomar algumas aulas de estratégia e economia com a fábrica de sonhos que criou o Tio Patinhas.

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Tema: Esquire por Matthew Buchanan.

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