Denilson Monteiro foi ousado. Desta vez, o escritor de “Dez! Nota Dez! Eu Sou Carlos Imperial” (Matrix Editora) narrou a história de um dos letristas mais conhecidos da Bossa Nova: Ronaldo Bôscoli.

Ronaldo Bôscoli tinha múltiplas facetas. Podia ser o carioca safo, o bom de bico com as mulheres, o língua venenosa, o criador de pocket shows e o fã de Frank Sinatra/Reprodução
De cara, “A Bossa do Lobo” (Leya, 544 páginas, R$ 44,90) chega às livrarias competindo com uma série de títulos que já revisitou e recontou a vida e a obra do compositor e jornalista, morto em 18 de novembro de 1994.
Um dos primeiros livros a citar o letrista de “Lobo Bobo”, “O Barquinho”, “Balançamba” e “Tributo a Martin Luther King” foi “Furação Elis” (Editora Globo), de Regina Echeverria. Como o músico foi o primeiro marido e pai do primeiro filho de Elis Regina, João Marcelo Bôscoli, a relação conturbada com a cantora foi exposta em algumas páginas da obra de 1985.
A trajetória de Bôscoli voltou a ser contada em 1990 em “Chega de Saudade” (Companhia das Letras), de Ruy Castro . O compositor é citado mais de setenta vezes no livro que se tornou referência mundial sobre a história da Bossa Nova.
Bôscoli conta sua historia
O próprio músico revisitou sua trajetória em “Eles e Eu – Memórias de Ronaldo Bôscoli” (Editora Nova Fronteira). O carioca narrou suas lembranças aos jornalistas Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves que as transformaram em uma biografia de 286 páginas.
O livro foi lançado dias antes da morte de Bôscoli e, sob o ponto de vista do músico, apresentou a história da Bossa Nova, do Rio de Janeiro nos anos 50 e 60, do cenário musical brasileiro, de suas músicas, de suas amizades e inimizades e de suas relações amorosas com as cantoras Nara Leão, Elis, Maysa, entre outras mulheres.
Os caminhos de Bôscoli e Ruy Castro se cruzaram por mais uma vez em “Ela é Carioca – Uma Enciclópedia de Ipanema” (Companhia das Letras). O compositor, que se encontrava quase diariamente com o maestro Antonio Carlos Jobim na churrascaria Plataforma, no Leblon, se tornou um dos verbetes da obra de 1999.
Nos anos 2000, o “Véio” – apelido do letrista – foi citado em um punhado de livros biográficos e autobiográficos como, respectivamente, “Nara Leão, uma Biografia” (Editora Lumiar), de Sérgio Cabral, e “Noites Tropicais” (Objetiva), de Nelson Motta.
Mil homens em um só
Essas obras retratam as múltiplas facetas de Bôscoli como carioca safo, bom de bico com as mulheres, língua ferina, jornalista esportivo, torcedor do Fluminense, amigo de Nelson Rodrigues, letrista de mão cheia, criador de pocket shows no Beco das Garrafas, parceiro de Luiz Carlos Mieli, produtor musical de Roberto Carlos e fã de Frank Sinatra.
O desafio de Monteiro em “A Bossa do Lobo” é fugir do lugar comum. O autor, que há mais de dez anos trabalha com pesquisas biográficas, foi responsável pelo levantamento de dados e imagens de “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta, e realizou as pesquisas de imagens de “Minha Fama de Mau”, de Erasmo Carlos, e “Bussunda – A Vida do Casseta”, de Guilherme Fiuza. Ou seja, ele é um cara vivido.
Monteiro uniu essa experiência a uma pesquisa detalhada e a uma centena de entrevistas com pessoas que conviveram com Bôscoli e se atreveu a recontar a trajetória do letrista.
A leitura de “A Bossa do Lobo” nos convida à aposta corajosa do autor.
A BOSSA DO LOBO
Autor: Denilson Monteiro
Editora: Leya
Preço: R$44,90
544 páginas
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Debora de Lucas
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