Com um “C U in Vegas!!” (vejo vocês em Vegas) pelo Twitter nesta quarta-feira (22), Axl Rose festejou a temporada de shows que a banda Guns ‘N Roses fará na cidade norte-americana.
Cartaz da temporada Appetite For Democracy faz referência à capa do disco Appetite for Destruction
Intitulada de Appetite For Democracy, a série de 12 apresentações de Mr. Rose [@axlrose] e sua gangue acontecerá de 31 de outubro a 24 de novembro, no Hard Rock Hotel & Casino Las Vegas.
Por mais bizarro, dantesco ou surreal que pareça, o grupo de hard rock se rendeu aos encantos da capital da jogatina como o cantor Elvis Presley (1935 – 1977) fez entre 1969 e 1976.
Pagando tributo
Os concertos celebram os 25 anos do álbum clássico Appetite for Destruction, segundo o hotel. Lançado em 21 de julho de 1987, o disco de 12 faixas carrega os sucessos Paradise City, Welcome to the Jungle e Sweet Child O’ Mine. O trabalho vendeu mais de 18 milhões de cópias em todo o mundo e levou o Guns ao estrelato.
Se você tiver mais ou menos 15 anos, deve se perguntar por que há tanta gente que gosta do Guns N’ Roses. Certo, o último show da banda no Brasil – domingo (2/10), no Rock in Rio – não mostrou a melhor forma do grupo.
Axl Rose encarou a chuva durante o show do Guns N' Roses na última edição do Rock in Rio/Fernando Schlaepfer/Grudaemmim
O outrora sexy symbol Axl Rose, agora é um homem de meia-idade, com o rosto cheio de plásticas e um guarda-roupa pavoroso (o que era aquele blazer feito de capa de chuva amarela?/veja ao lado). Além disso, sua bela e potente voz não aguentou os anos de abuso de álcool e drogas e, hoje, é apenas um fiapo.
As duas formações históricas (1985 – 1989 e 1990 – 1997), que contavam com Slash (guitarra), Duff McKagan (baixo), Izzy Stradlin (guitarra), Steven Adler (bateria), Gilby Clarke (guitarra), Matt Sorum (bateria) e Dizzy Reed (teclados), não existem mais. Em 1997, Axl se tornou oficialmente o dono da banda e, de lá para cá, o G N’ R é composto por ele e uma série de músicos que, na verdade, fazem apenas o papel de apoio para o vocalista.
Mas antes disso, o Guns brilhou. Foi um dos maiores e mais importantes grupos de rock do final dos anos 1980 e início da década de 1990. Sua sonoridade pesada – uma mescla entre hard rock e heavy metal – e seu mau comportamento lhe renderam o apelido de “a banda mais perigosa do planeta”.
Ao todo, Axl e sua turma venderam mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo, compuseram hits como “Don’t Cry”, “Patience”, “Mr. Brownstone”, “Yesterdays” e “You Could Be Mine” e se apresentaram em mais de 30 países.
Depois dessa breve introdução, vamos saber quais são os três motivos para venerar a banda norte-americana.
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1 – Enquanto o pop e o rap dominavam o cenário musical da década de 1980, o rock agonizava. Isso até o lançamento de “Appetite For Destruction”(1987). O primeiro LP do Guns N’ Roses foi o “Nervermind” da época. Com menos de 54 minutos e recheado com os riffs de Slash e os falsetes de Axl, o álbum trouxe a pegada roqueira de volta às rádios, aos palco e aos jovens de todos os cantos do planeta.
As incríveis 12 faixas do disco – entre elas “Welcome to the Jungle”, “It’s So Easy”, “Paradise City”, “Sweet Child O’ Mine” e “Rocket Queen” – evocavam a rebeldia, a obscenidade, ou seja, o primário espírito sexo, drogas e rock ‘n’ roll.
2 – Enquanto a maioria dos grandes artistas não dava bola para o Brasil, o G N’ R apostou em nosso país. A turnê mundial Use Your Ilusion – uma das mais importantes e lucrativas dos anos 1990 – passou pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro em dezembro de 1992.
A capital paulista recebeu duas apresentações que aconteceram no Anhembi. A primeira, no dia 10, transcorreu tranquilamente. Eu estava lá, na cara do palco. Foram mais de duas horas impecáveis e eletrizantes para uma adolescente que conferia pela primeira vez um grande concerto de rock.
A segunda, no dia 12, não passou dos iniciais dez minutos porque um espectador acertou uma lata de cerveja em Axl que decidiu encerrar a apresentação. O show carioca rolou sem problemas em 13 de dezembro, no Autódromo Internacional Nelson Piquet.
3 – Ó banda para fazer boas covers! As versões do Guns N’ Roses são únicas, surpreendentes e inovadoras. Todas conseguem se diferenciar das músicas originais. Os novos arranjos e a voz de Mr. Rose deram um fôlego novo aos hits “Mama Kin”, do Aerosmith, “Knockin’ on Heaven’s Door”, de Bob Dylan, e “Live and Let Die”, de Paul McCartney.
O Guns ainda fez uma cover do mega sucesso “Sympathy for the Devil”, dos Rolling Stones, para a trilha sonora do filme “Entrevista com o Vampiro”. Mais uma vez, a versão deu uma nova faceta à original.
No entanto, a banda se superou quando gravou um disco inteiro de covers, “The Spaghetti Incident?”. O álbum lançado em 1993 reinventou clássicos do rock como “Since I Don’t Have You” (The Skyliners) e “Attitude” (The Misfits).
Além dessas três músicas, o disco conta com mais nove e a faixa escondida “Look At Your Game Girl”. A canção foi escrita por Charles Mason, assassino da atriz Sharon Tate e, no estilo Guns N’ Roses, sua gravação causou polêmica nos Estados Unidos.