Com “O Rei Leão” em 3D, Disney embolsa milhões de dólares e dá aula de estratégia aos estúdios de Hollywood


O ditado popular sentencia: “Quem foi rei, nunca perde a majestade”. No último domingo (25), as bilheterias norte-americanas provaram que a sabedoria popular brasileira vale em qualquer parte do mundo. Mesmo com as estreias “Moneyball” (capitaneada por Brad Pitt) e “Winter, o Golfinho” (“Dolphin Tale”), “O Rei Leão” em 3D se manteve no primeiro lugar do ranking dos filmes mais vistos nos Estados Unidos e faturou cerca de US$ 61 milhões em apenas duas semanas.

Nada mau para uma animação de 1994 que foi relançada no formato três dimensões no último dia 16 de setembro na terra de Barack Obama. A princípio, o plano da Disney era manter a história de Simba por apenas 14 dias em cartaz, mas com essa marca, os executivos da companhia podem mudar de ideia.

Pôster para o relançamento de “O Rei Leão”/Reprodução

Ao contrário dos estúdios de Hollywood, a estratégia da Disney sempre foi relançar suas produções com atualizações tecnológicas: uma recolorização ali, um melhoria no áudio acolá e assim por diante. E nunca, nunca alterar a narrativa, atualizá-la ou fazer um remake.

Entre as empresas cinematográficas dos Estados Unidos, a Disney é a única que entende que refilmagens podem ou não funcionar.

Os números do Box Office Movie, site especializado na medição da bilheteria americana, mostram que a tática da companhia do Mickey Mouse é muito inteligente. Só nos Estados Unidos, “O Rei Leão” (em 3D) já arrecadou 7% do valor da edição de 1994. O filme em 2D faturou aproximadamente US$ 862 milhões em todo mundo.

Mesmo quando os remakes funcionam – isto é, têm uma arrecadação boa –, geralmente ficam aquém do original. Um exemplo disso é “Cidade dos Anjos” (1998), de Brad Silberling. Os críticos odiaram a “homenagem” que o diretor americano fez a “Asas dos Desejo” (1987), de Wim Wenders. No entanto, o grande público adorou e encheu as salas de todo planeta. Não vou publicar os números porque é covardia comparar a arrecadação de um clássico moderno do Cinema Alemão com a de um longa hollywoodiano, estrelado por Nicolas Cage e Meg Ryan.

Remakes vergonhosos
Mas há refilmagens que passam vergonha como “Poseidon”. A versão de 1972 foi um sucesso de crítica e público e angariou cerca de US$ 85 milhões só nos Estados Unidos. O remake da história de seis passageiros que tentam fugir de um transatlântico prestes a afundar chegou aos cinemas em 2006 e não agradou. O longa nem levantou US$ 61 milhões em seu próprio país.

Mesmo com esses tombos, os estúdios de Hollywood teimam em “refazer” filmes que nem completaram trinta anos, vide o novo “Conan, o Bárbaro”(2011).


Nada contra o ator Jason Momoa, porém, a missão de competir com Arnold Schwarzenegger é indigna. O astro nascido na Áustria personificou o guerreiro simeriano nos dois bem sucedidos longas da saga. Além disso, a versão do século 21 estreou na quarta posição das bilheterias dos Estados Unidos enquanto o filme de 1982 ficou com o primeiro lugar no mesmo período, segundo o Box Office Mojo. Até agora no requisito arrecadação americana, o “original” fica na frente com quase US$ 67 milhões contra os cerca de US$ 48 milhões do “novato”.

Bom, números são números e quase sempre, incontestáveis. Por eles, observamos que ao preservar o seu passado, a Disney dá um baile em seus concorrentes em nosso tempo presente. A teoria de que as boas histórias têm que ser modernizadas e recontadas para conquistar um público mais jovem se torna ridícula quando uma animação de 17 anos, com um enredo completamente manjado, conquista e mantém a primeira posição durante seu relançamento. Com isso, fica difícil não afirmar que os grandes estúdios precisam tomar algumas aulas de estratégia e economia com a fábrica de sonhos que criou o Tio Patinhas.

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