“Contágio” expõe mazelas da humanidade em 1h46


A possibilidade de uma pandemia dizimar grande parte da humanidade em menos 135 dias não é o elemento aterrorizante do longa-metragem “Contágio” (Contagion) que estreou no Brasil na última sexta-feira (28/10). O que assusta é o comportamento humano durante esse período.


O novo filme de Steven Soderbergh, ganhador do Oscar de Melhor Diretor por “Traffic” (2000) e da Palma de Ouro, em Cannes, por “Sexo, Mentiras e Videotape” (1989), expõe o nosso lado negativo, o nosso egoísmo, o nosso amor ao dinheiro, a nossa maldade e, por fim, a nossa falta de solidariedade. Todas essas mazelas já foram vistas (e comprovadas) ao longo da História da humanidade vide a escravidão dos negros africanos, as guerras mundiais, o Holocausto, entre outros episódios.

Ao contrário do longa “Blindness – Ensaio sobre a Cegueira” (2008) – baseado no romance homônimo e de realismo fantástico de José Saramago –, “Contágio” fala de um vírus letal que poderia surgir amanhã, se disseminaria rapidamente pelo ar, mataria suas vítimas em poucos dias e cruzaria continentes em algumas horas. Pouco provável? Quem não se lembra da gripe suína em 2009 ou do ébola em 1995?

Soderbergh deu liberdade ao elenco primoroso encabeçado por Laurence Fishburne (“Matrix”), Kate Winslet (“Foi Apenas um Sonho”), Marion Cotillard (“Piaf – Um Hino ao Amor”), Jude Law (“Closer – Perto demais”), Matt Damon (“Gênio Indomável”) e Gwyneth Paltrow (“Os Excêntricos Tenenbauns”) na produção de 106 minutos.

Com isso, os protagonistas concederam características singulares e profundidade aos seus personagens que, como pessoas comuns, cometem erros, se guiam pelas emoções, são contraditórios e falhos em situações limite. O diretor é conhecido em Hollywood por ouvir e compartilhar seu processo criativo com os atores.


Como “Traffic”, “Contágio” apresenta uma narrativa não linear e eletrizante. Uma parte disso se deve ao estilo de Soderbergh e outra, ao trabalho do editor Stephen Mirrione. A parceria entre os dois já se estende a seis filmes.

Por conta dessa semelhança, muita gente pode achar que o diretor se repetiu, estagnou. O próprio Soderbergh já declarou que após dois projetos irá se aposentar das telonas. Porém, não excluiu a possibilidade de voltar a dirigir.

Apesar disso, sua forma de contar histórias é o melhor retrato da nossa contemporaneidade que é fragmentada, interligada, repetitiva, descartável e instantânea.


“Contágio” | Site oficial [em inglês]

contagionmovie.warnerbros.com


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Debora de Lucas


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