CarnaSka no CCJ: Apesar do excelente line-up, organização maltrata e diferencia público


A primeira edição do CarnaSka, ocorrida no último sábado (4), na rua, em frente ao Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), poderia ter sido perfeita.

O sexteto Don Robalo em ação/Divulgação

Não choveu. O atraso de três horas para o início do festival gratuito foi relevado pelo público.

As bandas escaladas (line-up) – Móveis Coloniais de Acaju, Sapo Banjo, Peixoto & Machado, Coquetel Acapulco, Ba-Boom, Don Robalo, The Slackers e Larika – fizeram shows espetaculares que agradaram a plateia.

O som e a iluminação também estavam muito bons.

Enquanto os músicos mandavam superbem, a organização da festa do ska, chefiada pelo curador e produtor do CarnaSka, Bruno Lancellotti, pisava na bola com o público.

A primeira falta foi a criação de uma área VIP em frente ao palco de um festival pago com o dinheiro público. A atitude mostrou o abuso de poder, o sentimento de impunidade e o despreparo da produção para realizar shows municipais.

A segunda foi a expulsão dos espectadores que assistiam aos concertos de dentro do CCJ. Durante a antepenúltima apresentação do festival – a da dupla paulistana Peixoto & Maxado –, a organização decidiu que as pessoas não poderiam permanecer no espaço e que tinham que sair a qualquer custo.

Vocês têm que sair!
No entanto, isso não anunciado no começo do evento, e o local não foi sinalizado como interditado.

Por algum motivo, os membros da produção se incomodaram com a presença dos cidadãos e fizeram com que os trabalhadores do CCJ retirassem o público da área. Entre si, eles cochichavam que só quem tivesse a pulserinha de VIP no pulso poderia continuar no prédio público.

Havia gente que estava no local desde a primeira apresentação e que não havia sido repreendida até o momento. Houve uma jovem, que por conta do sol forte, teve uma insolação e foi levada pelos amigos ao espaço entre as portas de vidro e a grade do CCJ. A garota estava caída no chão e sendo socorrida apenas pelos colegas.

A organização viu a situação e pediu para que eles saíssem. Um dos garotos colocou a jovem no colo, e eles partiram sem atendimento médico ou uma orientação. O membro mais velho dessa turminha tinha, no máximo, 17 anos.

The Slackers foi a penúltima banda a se apresentar no Carnaska/Divulgação

Polícia para quem precisa de polícia
O público que não quis sair tentou argumentar com a produção. No entanto, levou chumbo. Após as reclamações, alguns dos policiais militares que patrulhavam o evento foram chamados conter a “ordem”. Os cidadãos constrangidos e inibidos com a presença da PM foram obrigados a se retirar.

Ou seja, enquanto um festival lindo acontecia no palco, um show de cafajestagem e bestialidade ocorria abaixo dele. A organização não realizou um evento de oito horas conforme o programado (das 14h às 22h), mas deve ter recebido por isso (o CarnaSka rolou das 16h às 23h15).

Na verdade, o festival não foi feito para o povo, mas sim, para a enaltecer a vaidade da produção. Pois a equipe de Lancellotti maltratou e diferenciou o cidadão paulistano e brincou com o dinheiro público. (Debora de Lucas | @deboradelucas)

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(Debora de Lucas | @deboradelucas) | Crédito das imagens: Reprodução


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