Exposição não reflete grandiosidade da cantora Elis Regina


A principal falha da exposição gratuita Viva Elis é fragmentação da vida e da obra da cantora Elis Regina (1945 – 1982). A exibição pode ser vistada até 20 de maio no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista.

Elis Regina, a saudosa Pimentinha/Reprodução

A aposta da curadoria converge com a linguagem contemporânea que é permeada pela edição “videoclipada” dos meios audiovisuais e pela instantaneidade das relações, da informação e do próprio conhecimento.

O formato é insatisfatório para narrar a história da nossa Pimentinha, mas funcionaria bem para uma mostra sobre a cantora Lady Gaga.

Afinal das contas, foram quase 37 anos de entrega à carreira, à música, à MPB, aos maridos, aos filhos (João Marcello Bôscoli, Pedro Camargo Mariano e Maria Rita), aos amigos, aos fãs e ao Brasil.

Ela surgiu e atingiu o topo numa época em que os cantores tinham que cantar de verdade e que os recursos tecnológicos não transformavam artistas em primas-donas.

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Além da sorte, os aspirantes aos grande palcos tinham que ter voz, repertório e charme. E ela tinha tudo. E tinha também intensidade, magnetismo, verdade, ousadia e ímpeto. Do alto dos seus 1,54 m, a Pimentinha – apelido que ela odiava – só deixou de ascender no momento em que morreu.

Porém em 19 de janeiro de 1982, deixou de ser ídolo e se tornou mito.

Por isso, Elis Regina não poderia ter a sua trajetória contada em uma série de notas e imagens (em vídeo e fotos) soltas. A aposta fez a estrela parecer menor e menos importante do que é.

O vasto material que compõe a exibição – mais de 200 fotos da carreira e da vida privada, documentos pessoais, discografia completa e dezenas de vídeos de apresentações ao vivo e especiais de TV – acabou subaproveitado nos totens modulares que, como estandartes, carregam a história da artista.

Um exemplo disso é a cronologia da cantora que está localizada em uma área de pouco destaque.

Como regaste, a mostra é válida. Emociona os fãs mais velhos que foram aos shows de Elis e encanta os mais novos. No entanto, não reflete a grandiosidade da estrela.

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P.S. – O jornalista e produtor musical Nelson Motta escreveu um texto para introduzir o visitante à mostra Viva Elis. O autor dos livros Noite Tropicais e Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia tropeçou ao comparar a cantora Elis Regina a uma negona do jazz norte-americana.

A alusão é verossímil, no entanto, a escolha lexical foi de mau gosto. Ella Fitzgerald (1917 – 1996), Billie Holiday (1915 – 1959) e outras cantoras do gênero são mulheres negras que conquistaram espaço num período difícil da história norte-americana, marcado pelo racismo extremo que pode ser comparado aos horrores de Auschwitz. Elas abriram caminho para que moçoilas como Beyoncé e Rihanna possam brilhar e ganhar cachês como os das cantoras brancas.

Então Senhor Nelson Motta, mais respeito. A palavra negona é tão pejorativa quanto o termo nigger nos Estados Unidos.

Zero para Nelson Motta e -1 para a curadoria que deixou passar.

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P.S.2 – A exposição também acontecerá nas cidades de Porto Alegre (de 10 de junho a 15 de julho), Recife (de 5 de agosto a 25 de setembro), Rio de Janeiro (de 10 de outubro a 11 de novembro) e Belo Horizonte (27 de novembro a 6 de janeiro), informa o site da exibição.

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Elis, uma biografia – Quem quiser se aprofundar na vida e obra da cantora Elis Regina, deve ler o livro Furacão Elis. A biografia escrita em 1985 pela jornalista e amiga da cantora Regina Echeverria narra a trajetória – sem máscaras – da garota espevitada de Porto Alegre que conquistou o Brasil com sua voz e suas performances.

Nova edição de Furacão Elis/Reprodução

Nova edição de Furacão Elis/Reprodução

Para o título de mais de 200 páginas, Echeverria entrevistou a mãe de Elis, Dona Ercy, o irmão da cantora, Rogério, artistas, músicos e amigos da estrela.

O texto coloquial permite que o livro seja devorado em pouco dias. Além disso, o volume conta com histórias que irão fazer o leitor morrer de rir e outras em que ele irá se emocionar.

No começo de 2012, o livro foi reeditado pela Leya e pode ser por encontrado no site da editora.

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VIVA ELIS EM SÃO PAULO
Data: Até 20 de maio | Horário: De terças a sextas-feira, das 10h às 19h30, e aos sábados, domingos e feriados, 10h às 17h30 | Quanto? Grátis
Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Rua Vergueiro, 1.000 (ao lado da estação de Metrô Vergueiro)| Paraíso | São Paulo | São Paulo | Telefone: (11) 3397-4002
e-mail: ccsp@prefeitura.sp.gov.br
www.centrocultural.sp.gov.br | Site oficial

Projeto Viva Elis | Hotsite
www.nivea.com.br/niveavivaelis

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